domingo, 23 de dezembro de 2007

ADORAÇÃO NO LIVRO DE MATEUS - Natal -


As duas primeiras estão na narrativa dos magos, exclusiva de Mateus (aliás, o NT interpretado versículo por versículo, do Champlin, traz vários fatos interessantes sobre a história do número de magos e seus nomes).

Os magos vieram do oriente para adorar o Rei dos judeus. Não vieram para adorar o seu rei, mas o rei dos outros...

Herodes queria encontrar o Messias para adorá-lo também, pelo menos é o que ele declara. Na verdade, ele o buscava apenas por interesse próprio (no seu caso, a intenção era matar o Rei, porque ele queria continuar como rei). Herodes diz que quer adorar o rei, mas na verdade ele adora muito mais a si mesmo, adora tanto a ponto de matar o Rei.

A terceira ocorrência do verbo adorar em Mateus se encontra no relato da tentação no deserto e quem pede adoração para si é ninguém menos do que o próprio diabo. E ele tem um argumento: o que Deus quer lhe dar exige um sacrifício grande demais. O diabo pode lhe dar tudo o que Deus lhe prometeu, mas a um custo muito inferior (pelo menos é o que ele quer que acreditemos), basta adorá-lo. O nascimento de Jesus está inexoravelmente relacionado com sua morte sacrificial (vide a declaração de Simeão).

A quarta ocorrência (não procurei as demais, se existem) aparece no capítulo oitavo, na descrição do leproso que procura Jesus. Aliás, Mateus apenas diz que o leproso adorou Jesus. Marcos diz que o leproso se ajoelhou e o adorou. Lucas diz que o leproso prostrou-se com o rosto em terra e adorou.

Esta é uma adoração a priori, incondicional e a ela se segue a frase "Senhor, se quiseres, podes (tens poder) para purificar-me".

O leproso (qualquer doença de pele como vitiligo ou psoríase eram classificadas como lepra, além da hanseníase) era impuro social e religiosamente. A lepra era vista como castigo divino, como no caso de Miriam contra Moisés. Seus portadores estavam condenados ao exílio forçado e a não mais poderem adorar no templo, além do isolamento da família e sociedade, sem possibilidades de trabalho, lazer ou dignidade.

O pedido do homem a Jesus não é a cura, mas a purificação. Na verdade, ele tem coragem para quebrar regras e se aproximar de Jesus, ele o adora como há muito teve que deixar de fazer, reconhece a soberania e poder de Jesus e faz um pedido cônscio de sua condição: "se quiseres..."

A resposta de Jesus é de pura compaixão. Se o leproso tinha quebrado uma regra ao se aproximar de Jesus, Jesus também quebra uma regra e põe a mão sobre o homem (como há tanto tempo ele deixara de sentir alguém tocá-lo...) e diz "Quero", sim essa é a minha vontade.

Ao olhar os presépios e observar a atitude de adoração dos que foram visitar o menino Jesus, precisamos refletir sobre a nossa própria atitude de adoração:
- crente mago: sábio, espiritualista, esotérico até, que adora o rei dos outros, mas não reconhece Jesus como seu próprio rei.
- crente Herodes: diz que quer adorar Jesus, mas só quer manter o seu próprio reinado. Adora a si mesmo.
- crente diabo (ixii...): quer as bençãos de Deus, mas sem a cruz. Está disposto a obter as bênçãos, ainda que seja dando uma curvadinha pro Coisa-ruim. Pior ainda, oferece isso pros outros, exigindo adoração de si mesmo como intermediados das bênçãos celestes.
- crente leproso (ia chamar de leproso curado, mas a atitude de destaque do homem é anterior à sua cura/purificação): reconhece a soberania e poder de Deus e O adora a despeito das circunstâncias.

No diálogo de Jesus com a mulher samaritana, há uma frase interessante: "vós adorais o que não conheceis..." Jo 4.22

Encerro ainda sobre adoração, lembrando de um personagem do antigo testamento, um homem abençoado por Deus e muito temente a Ele. Piedoso a ponto de oferecer sacrificios diarios por seus pecados e de seus filhos, pecados conscientes ou não. Abateu-se sobre ele uma desgraça como poucas vezes vista: quase instantanemente perdeu toda a sua riqueza, todos os seus filhos morreram, perdeu sua saúde também (às vezes ouvimos como consolo: mas o importante é que temos saúde... que consolo sobrou para Jó?) e qual foi sua reação? Ele raspa sua cabeça, rasga seu manto, veste-se de panos de saco, prostra-se em terra e ... adora a Deus. "O Senhor deu, o Senhor o tomou, bendito seja o nome do Senhor."

Sabe o que mais me impressiona na história de Jó? O final do livro traz outra frase marcante deste homem: "Antes eu te conhecia de ouvir falar, mas agora os meus olhos te vêem..." A reação de Jó à sua desgraça foi de alguém que conhecia a Deus "de ouvir falar..."

Como está o seu coração, adorador? O Pai procura adoradores que o adorem em espírito (não apenas na forma) e em verdade (não apenas de um sentimento real, mas de coerência com a vida). Ele encontra isso em você?

Fonte: Pr. Daniel Hioshimoto - Igreja Metodista Livre

sábado, 22 de dezembro de 2007

Vagas no Reino de Deus.
Ricardo Gondim


Chegou às minhas mãos um documento confidencial, com uma chancela em alto relevo, que diz: "Sala do Trono". É uma circular interna do Céu que descreve o perfil das pessoas que Deus procura para encarnarem os valores do seu Reino na terra.

Não me perguntem quem vazou esse papel tão sigiloso; realmente desconheço sua origem. Só consigo comprovar sua autenticidade pelo conteúdo das propostas, a meu ver, coerentes com a Bíblia.

Transcrevo-o abaixo.

"Procuram-se mulheres e homens que não vivam escravizados pelas mesmas obsessões que dominam as pessoas: riqueza, fama e poder. Serão dispensados aqueles que correm alucinados, sempre perguntando: 'Que comeremos, que beberemos? Ou: com que nos vestiremos?'. Não serão recebidos currículos de quem gosta dos lugares de honra, e de posar ao lado de pessoas consideradas importantes. Nenhum entrevistado pode vangloriar-se de seus feitos. Sugere-se que seja considerado apenas o que se enleva com a grandeza das galáxias ou com a fragilidade das margaridas. O candidato pré-aprovado deve estagiar em algum deserto e será despedido sumariamente aquele que não souber ouvir a voz dos ventos mais delicados; não se extasiar com o pôr-do-sol que colore o céu de vermelho; e não se calar diante das constelações que enfeitam as noites escuras com seus diamantes.

Para ocupar a posição de apóstolo, só se admitirá o que abrir mão deste título; será reprovado o candidato que afirmar, em algum ponto da entrevista, que se sente honrado com a possibilidade de continuar com a missão apostólica. O entrevistado precisará revelar discrição e total desinteresse para com os louvores humanos. Não será admitido, em hipótese alguma, qualquer um que, mesmo de relance, demonstre estar cogitando um projeto próprio. Está desqualificado o que insinuar, até inconscientemente, que gosta de dinheiro. Será desprezado quem se esforçar para mostrar uma espiritualidade mais intensa que a maioria das pessoas.

Há grande necessidade de profeta, mas se exigirá um rigor maior no preenchimento dessa posição. O profeta será testado em sua capacidade de sentir o coração de Deus. Numa primeira avaliação, o candidato será levado a conviver com os sofrimentos mais cruciantes da humanidade. Será despedido sumariamente aquele que oferecer explicações teológicas para a dor universal. Antes, requer-se que o profeta saiba deitar seu ouvido no coração de Deus e sinta seus anseios e vibrações pela raça humana. Reprove-se o que não verter lágrimas; não soluçar com a morte desnecessária de crianças; não se indignar com a volúpia dos que acumulam fortunas, não protestar contra a indiferença dos confortáveis; e não lutar contra os preconceitos racial, cultural e de gênero.

O candidato a evangelista deverá preencher os seguintes critérios: 1) Amar as pessoas, mais do que seu ofício. Portanto, é bom observar como reage ao sucesso ou ao fracasso. Será reprovado todo aquele que demonstrar extrema alegria pelo bom desempenho de alguma empreitada. Será descartado, igualmente, o que se entristecer com o baixo rendimento de seus esforços. Somente estará apto para o ofício de evangelista quem aprender a amar, mesmo quando as pessoas resistem à sua mensagem. Ser fiel é mais importante que bem sucedido. 2) Não se aceitará o orador empolado, que repita clichês, ou que maltrate o bom senso das pessoas com frases prontas. Quem fizer promessas irreais, responder ao drama humano com simplismos; se usar a mensagem do Evangelho com o intento de subornar ou coagir o amor das pessoas, será desconsiderado. 3) Terá desclassificação imediata, quem fizer convite de conversão, apelando para as emoções. A entrevista qualificatória deve terminar no instante em que se perceber que o candidato a evangelista gosta de manipular e sensibilizar as pessoas com choros e frenesis.

Há vaga para pastor. Contudo, não se deve apressar o preenchimento dessa função. Só será admitido, candidato que já tenha caminhado extensamente com o povo. É bom que conheça todo espectro social e saiba transitar entre ricos e pobres; doentes crônicos e atletas profissionais; patrões e empregados. Como os pastores não podem viver trancados em gabinetes, é de bom alvitre que se avalie como se comporta quando prega para grandes auditórios, e como trata indivíduos. O que demonstrar maior traquejo com multidões, mas evita o contato pessoal, será repudiado. Todo pastor precisa caminhar de mãos dadas com famílias enlutadas; precisa saber esperar pela notícia de morte ao lado das ovelhas que choram no corredor da UTI; precisa conversar pacientemente com os jovens que lutam com sua sexualidade; e precisa abraçar carinhosamente os idosos. É imprescindível que, vez por outra, chore quando oficiar casamentos.

Existe uma grande necessidade de mestre. Mas, para essa função, o candidato precisa apresentar seu currículo acadêmico, que será analisado de acordo com a capacidade e oportunidades de cada um. Contudo, o futuro mestre não pode valorizar exageradamente a letra a ponto de matar o espírito dos textos. Ele deve revelar disposição de defender a verdade, principalmente quando ela estiver a serviço da vida. Será desclassificado aqueles que, na defesa de suas convicções, demonstrar descaso existencial. Deve-se pedir que cada candidato escreva ressonâncias a poesias, pintura ou música; deverão ficar de fora, os que mostrarem rigor exagerado no literalismo, na análise técnica da obra. Não serve para essa função o que perde a beleza subjetiva, aquela que só se percebe com o coração. Quando o entrevistado comentar que domina um determinado assunto, ficará sob suspeição até o final da entrevista. A título de exercício, em cada argumentação do futuro mestre, é mister que haja contestação com pressupostos diferentes. Caso se mostre intolerante, ou não ceda na arrogância de seu conhecimento, será reprovado".

Surpreendi-me com integridade da Descrição de Funções do Reino Deus! Como é fantástico que Ele continue à procura de cooperadores verdadeiros.

Aconselho que muitos candidatos se tranquem em seus quartos, dobrem os joelhos e se voluntariem; será uma honra verem-se incluídos para o nobilíssimo serviço de continuar o que Jesus começou.

Eu já me candidatei e aguardo minha aceitação. Mas, enquanto ela não chega, treino outros. Desejo que eles se tornem hábeis artesãos de uma nova história.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

AOS RELIGIOSOS

Jesus anunciava o Reino, orava pelos enfermos e aflitos de alma, corpo e espírito e ensinava o Evangelho Vivo. Com seu amor acolhedor andou com os simples e se reuniu com eles diversas vezes fazendo-os viver a vida, sentirem-se importantes e amados por alguém que apesar da apresentação “religiosa“, era diferente de tudo que conheciam. Jesus era alguém que os aceitava, que não os condenava ou os sobrecarregava de leis e normas. Ele fez com que se sentissem irmãos, ensinando-os que testemunhar do Cristo Vivo era através da habilidade que tinham de amarem uns aos outros.
Jesus ensinou nos evangelhos o que interessava, era o que tinha de mais importante em sua mensagem. Apresentou-se como modelo, pois olhando para Ele podemos ver o Pai, e assim experimentamos um relacionamento com o Soberano Deus.
Desta forma vejo a importância do ensino de Cristo; puro, santo, verdadeiro e honesto, e me deparo assustado com os tele-evangelistas. Aonde está o Evangelho de Cristo? O que fizeram com a igreja do Senhor Jesus? Por que ensinaram ao povo a teologia da troca? Por que lançaram tanto peso e carga sobre o povo? Por que o amor e a Liberdade no Senhor foram esquecidos?
Disseram que o relacionamento com Cristo é a “Religião”. Na verdade o que se descobriu é que Jesus é um grande “negócio”, da lucro e enriquece. Para eliminar os opositores da vergonha silenciam os que se levantam contra isso, chamando-os de não cristãos ou rebeldes.
Mas aqueles que crêem numa igreja viva e sadia é a maioria, há muita gente boa nos bancos de nossas igrejas, gente pura, cheia de Deus, cheia de sonhos e esperanças e que estão aguardando com fidelidade a Volta daquele pelo qual vivemos.