sexta-feira, 4 de junho de 2010

FALANDO DE INVEJA



A inveja é um dos sentimentos mais difíceis de serem identificados e reconhecidos. Ignoramos que não há ninguém que respire que seja tão bem resolvido na vida a ponto de nunca desejar, pelo menos um pouco, daquilo que se admira no outro. O sentimento da inveja é filho da admiração – o que não significa que não exista admiração sem inveja. Mas onde existir a inveja, com certeza, houve a admiração antes. A inveja, enquanto sentimento, não é boa nem má. É apenas o desejo de possuir ou ser o que o outro tem ou é. O que pode ser mau ou bom é o comportamento que adotarmos diante desse sentimento. Traçado o limite entre a admiração e a inveja, o que importa é cada um identificar no próprio coração qual é a reação que aflora e que poderá determinar seu comportamento.

Podemos reagir de três formas quando identificamos e aceitamos em nós mesmos o sentimento de inveja. A primeira forma é reconhecer que se quer o que o outro é ou tem, avaliando as possibilidades reais de ser ou possuir o que admiramos no próximo. Posso desejar ter um carro de luxo caro, mas quando faço as contas descubro que, com o salário que ganho, é impossível adquirir um. Diante disso, há quem abra mão de outras coisas, esforça-se mais e se sacrifique para conquistar aquele objetivo. Neste caso, o sentimento de inveja foi positivo: um estímulo para o uso dos próprios recursos no empenho de conseguir o que se deseja.

A segunda reação é quando admiramos e desejamos o que outro tem, mas diante da impossibilidade de tê-lo passamos a desvalorizar e criticar aquilo que não temos condições de adquirir. No caso do carro, o invejoso diria: “Este carro não presta. Consome muito combustível, sua manutenção é caríssima e ocupa muito espaço.” Às vezes, esse tipo de comportamento até começa com um elogio, mas logo em seguida vem a crítica, o menosprezo. E a terceira maneira de reagir diante da inveja é quando, diante da impossibilidade de conseguir o que desejamos, adotamos um comportamento destrutivo em relação à pessoa e ou aos bens que são alvo dos nossos desejos. É o caso da pessoa, que muitas vezes, até sem perceber, assume uma postura de: “Já que não posso ter, você também não terá.”

O lado bom da história é que podemos tirar proveito quando detectamos os sentimentos de inveja no nosso coração. Eles apontam para uma deficiência na capacidade de reconhecer o nosso próprio valor, o nosso potencial, e desenvolvê-lo de tal forma que se tornem uma fonte de contentamento e realização. Enquanto simplesmente invejamos o próximo, tiramos o foco do que somos e temos, e gastamos inutilmente uma energia que poderia ser canalizada para o desenvolvimento das nossas habilidades e talentos. Tentamos a todo custo ter a vida do outro. E nessa tentativa perdemos a oportunidade de sermos nós mesmos.

Um dos provérbios do rei Salomão já nos adverte que a inveja é a podridão dos ossos. A Bíblia tem também um bom exemplo disso. Quando o filho pródigo da parábola – aquele que saiu de casa à revelia do pai e consumiu toda sua herança – voltou para casa, ganhou um banquete de recepção. Seu irmão mais velho, que sempre ficou ao lado do pai, sentiu-se injustiçado – afinal, embora tivesse permanecido sempre em casa, seguindo fielmente as ordens paternas, nunca tivera uma festa daquelas.

A resposta do pai esclarece que o filho mais velho é que não sabia desfrutar do que tinha: “Meu filho, tudo que é meu é seu”.
O que na realidade aconteceu foi que o irmão mais velho não conseguiu tomar posse do que tinha conquistado por direito. E este é o pior castigo para quem é dominado pelo sentimento de inveja – ele não usa e nem desfruta do que tem por direito, e também não consegue festejar e se alegrar com o que o outro tem. E ainda coloca a culpa em terceiros. Não sabemos qual foi a resposta deste jovem para o pai. Seria muito bom se ele tivesse reconhecido que tinha inveja do presente dado ao irmão e dificuldade em usufruir o que já lhe pertencia. É claro que o pai desta parábola contada por Jesus representa Deus, que sempre nos acolhe e nos restaura diante de nosso arrependimento.

Não há duas pessoas iguais no mundo. Cada um tem personalidade e habilidades que são únicas, mas que esperam ser reconhecidas e desenvolvidas. O ideal seria que o jeito de ser de cada um, bem como suas habilidades, recebessem um olhar de aprovação desde o nascimento. É assim que aprendemos desde cedo a nos alegrar com o que somos. Mas nem sempre é isso que acontece. No desejo de agradar, deixamos de lado o que naturalmente somos e nos esforçamos para sermos iguais àqueles que são apontados como modelos, seja pelo que são ou pelo que têm. A solução, depois do estrago feito, é cada um se reencontrar no próprio espaço, onde possa ser ele mesmo, com todas suas características e talentos – tanto os natos como os aprendidos.

Sempre é possível resgatar quem de verdade se é. E esta é uma busca que o indivíduo deve fazer para dentro de si mesmo, para, a partir daí, se doar e ser um caminho de bondade e amor para com aqueles que vivem à sua volta. Assim, faremos para nós mesmos nossas próprias festas e teremos recursos para nos alegrarmos e celebrarmos a alegria dos outros.

Autora: ESTHER CARRENHO
Fonte: Cristianismohoje

terça-feira, 1 de junho de 2010

Controverso, eu?




Ricardo Gondim

Não me considero um polemista, embora reconheça a minha insistência em questionar, embora saiba que vez por outra peso nas tintas ao criticar, embora consciente do meu atrevimento por tentar derrubar vacas sagradas de seus pedestais teológicos. Um tanto de gente me escreve perguntando sobre boatos que se espalham por corredores virtuais me acusando de perigoso. Sinceramente, não me acho uma ameaça (sem bem que Hitler também não se achava!).

Vou tentar explicar pela enésima vez porque disse que estava de saída do movimento evangélico. Na verdade, minha igreja pretende ser evangélica, isto é, ser uma comunidade leal ao Evangelho. Já não me identifico com o que se tornou o "movimento evangélico" enquanto fenômeno social. Enumero minhas explicações para que fique mais didático:

1. Por razões éticas –

Não consigo acertar o passo com os escândalos que sacodem quase semanalmente o movimento evangélico. Na minha opinião, um claro sinal da septcemia moral que o devasta. Alguém diria: “Esses escândalos representam apenas uma pequena parcela do movimento e os demais não podem ser responsabilizados”. Ora, ora, se os desmandos do neopentecostalismo não representam o todo, então porque os evangélicos se valem do crescimento das mega-igrejas, dos ministérios televisivos, para impressionar com as estatísticas do IBGE? Se há necessidade de separar quem é quem, então que profetas se levantem e denunciem o circo vergonhoso que se tornou a pretensa “pregação do evangelho” que não passa de uma neurolinguística fajuta.

2. Por razões teológicas -

Milagres a granel são prometidos indiscriminadamente pelas igrejas. O movimento evangélico virou um movimento antropocêntrico. Deus foi reduzido a um poderoso consertador de problemas, a um super-gênio da lâmpada que cumpre desejos, a um magnífico Papai Noel que dá o que se pede. Oração se transformou em técnica de manipular o divino; obediência, um jeito de desobstruir os dutos por onde correm as bênçãos; e fé, uma força que arrasta o coração de Deus na direção dos humanos, sempre miseráveis.

Na verdade, se me perguntarem se concordo com um mundo engrenado pela Providência que faz com que todos os nano eventos do universo tenham a tutela de Deus, responderei que não. Se me perguntarem se creio que crianças já nascem pecaminosas e “filhas da ira”de Deus, repetirei que não. Enfim, eu jamais passaria nas provas de catecúmenos da maioria das igrejas evangélicas.

3. Por razões existenciais -


Por anos, corri, corri, sobre a plataforma evangélica de salvar almas, de garantir o céu para os pecadores danados. Quando vi que a fronteira da velhice se avizinhava, descobri que as pessoas que haviam carimbado o passaporte para a vida eterna eram malvadas, iracundas, traiçoeiras, ingratas, mais amantes de suas doutrinas do que do próximo. Eu tinha distribuído salvo conduto que dava entrada para as ruas de ouro do Paraíso, mas fracassara em ajudar homens a honrarem as calças que vestiam.

Recentemente, pregando em Natal, Rio Grande do Norte, perguntei a um pastor anglicano sobre o estado das igrejas ali. Ele respondeu que igrejas evangélicas sérias estavam em crise. Repliquei de imediato: - Não, amigo, as igrejas sérias não estão em crise, mas navegando na contracorrente.

Sei que a versão dos maldosos colou em mim; fiquei com o estigma de mal-resolvido, polêmico e até de herege. No passado, isso me inquietava, mas depois que muitas águas correram sob a ponte, conscientizei-me de que devo continuar tentando abrir picada onde não há trilha sem importar-me com a opinião dos guardiões da reta doutrina.

Se a busca inquieta por novos ares for controverso, sou controverso. Se não aceitar andar no passo da manada for controverso, eu sou controverso. Se desejar cuidar pastoralmente de famílias com filhos com paralisia cerebral, sem repetir chavões, for controverso, eu sou controverso. Se recusar a aceitar que a miséria de bilhões, que dormem com fome todas as noites, representa o controle de Deus sobre a história for controverso, então eu sou controverso.

Cambaleante, continuarei. Sob artilharia pesada, escreverei. Espicaçado por eruditos, seguirei. Esta é minha vocação, é minha sina, é meu destino. Comecei, agora vou até o fim.

Soli Deo Gloria
25-5-10

terça-feira, 11 de maio de 2010

O Bom Pastor

Disse Jesus: “ Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, 15 assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas.” João 10:14-15

Pensamento: O alvo de nossa caminhada com Jesus é vir a conhecê-lo como nosso pastor tão intimamente quanto ele conhece o Pai. Uma coisa muito importante para lembrarmos: num mundo onde tantas pessoas tentam atrair nossa atenção, e querem nos dar conselho, nós podemos recusar a voz delas. Nós escutamos Jesus porque ele mostrou seu amor por nós dando sua vida por nós. Ele não é um empregado. Ele é o Bom Pastor.

As ovelhas não têm uma visão muito boa, mas tem uma audição desenvolvida, o que facilita sua sobrevivência. Elas dependem de ouvir a voz do pastor e seguir a sua direção que as levará aos pastos verdejantes, a fonte de águas e ao aprisco.

Nós como ovelhas do Senhor precisamos treinar os nossos ouvidos para ouvir a Sua voz. Essa capacidade de identificação vem através da intimidade e da comunhão. É impossível ouvir a voz do bom pastor, sem cultivar um relacionamento ou seja, uma vida devocional, de leitura bíblica e oração, isso gerará uma santificação que nos levará a seguir os Seus passos.

Nas nossas lutas diárias temos a oportunidade de treinar os nossos ouvidos para buscar a direção, as estratégias, as armas, o tempo de recuar e o tempo de avançar e destruir as obras do inimigo. É comum no ardor da guerra os sentimentos de medo, desânimo por parecer que a batalha está perdida mas, se somos ovelhas do Seu rebanho, o nosso pastor está conosco a sua vara e o seu cajado nos consolam. Isto é estamos totalmente guardados por ele. E qual o salteador ou o lobo que enfrentará ao bom pastor para nos atacar sem sair destruído?
Satanás está vencido.

“ Resistir ao diabo e ele fugirá de vós”. Tg. 4:7

“O Senhor entregará, feridos diante de ti, os teus inimigos que se levantarem contra ti; por um caminho sairão contra ti, mas por sete caminhos fugirão da tua presença”. Dt.28.7

Pr. Zildete de Mendonça
Pastora da Comunidade de Vida Cristã em Los Angeles

terça-feira, 27 de abril de 2010

CRÔNICA DE LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO SOBRE O BBB

"Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A décima (está indo longe) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos na mesma casa, a casa dos "heróis", como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 10 é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um "zoológico humano divertido". Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os "animais" do "zoológico": o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a "não sou piranha mas não sou santa", o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados...

Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o "escolhido" receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a

Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?

(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo..., visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade."

Crônica de Luiz Fernando Veríssimo.

Suponha que um Ímpio Vá para o Céu

Por um momento, suponha que você, destituído de santidade, tivesse a permissão de entrar no céu. O que você faria ali? Que possíveis alegrias sentiria no céu? A qual de todos os santos você se achegaria e ao lado de quem se assentaria? O prazer deles não é o seu prazer; os gostos deles não são os seus; o caráter deles não é o seu caráter. Como você poderia sentir-se feliz ali, se não havia sido santo na terra?

Talvez agora você aprecie muito a companhia dos levianos e descuidados, dos homens de mentalidade mundana, dos avarentos, dos devassos, dos que buscam prazeres, dos ímpios e dos profanos. Nenhum deles estará no céu.

terça-feira, 23 de março de 2010

MOVIMENTO ANTI-HABACUQUE

Por Márcio de Souza

Hora da palavra. O pastor, impecável, anuncia o preletor da noite após uma longa e emocionada apresentação. Era um dos líderes mais conceituados do Brasil nessa denominação. Nessa altura do campeonato eu já tava comemorando o título, e pensando: “Perfeito, tudo tranquilo, palavreado contextualizado e agora pra completar a noite o melhor pregador da denominação estava lá pronto para compartilhar a mensagem comigo e com a turma que tava por lá.

Começa a mensagem e um longo período de piadas dão a introdução. O preletor fala das suas experiências em Niterói e aproveita para zoar um jovem que cansado dormia durante a palavra (lembrei de Êutico). Comecei a estranhar... de três em três minutos ele chamava a atenção da platéia numa tentativa de mantê-la presa a mensagem. Daí por diante, frases como “vocês ainda estão aí?”; “Tem gente aqui ainda?” permearam a mensagem. No decorrer da mesma, detectei algumas “caneladas bíblicas” e uma forte ênfase materialista na pregação. Pensei, “... é o tipo de gente que assiste... só pode ser isso... ele ta tentando prender o povo através disso...”.

Minha esposa olhou pra mim e fez uma cara que se ela pudesse falar naquela hora nem sei quais seriam as palavras... (mau sinal). Por fim, milhares de citações condicionais levavam os jovens ao delírio e eu pensava: “Onde é que está a graça de Jesus”. Em um momento da mensagem o preletor chegou a dizer que se um tal “espírito” não se afastasse da pessoa, Jesus estava impedido de se aproximar dela. Afirmou que nós somos responsáveis por expulsar esse “espírito” de perto da gente, através da nossa atitude diante das circunstâncias.

Gente, Jesus não está impedido de nada, esse tal “espírito” não tem poder para impedir a nossa comunhão com Jesus. Nenhuma força pode afastar Jesus e sua “Tsunami” de amor de perto da gente. Precisamos deixar de ser jovens guiados por regras e condições e nos tornarmos jovens da Nova aliança que vivem a graça e sabem que são livres.

Somos da geração “se”: “Se eu fizer isso, Deus fará aquilo...”; “Se Deus não fizer isso, eu não farei aquilo”. Precisamos nos tornar jovens da geração Habacuque! Gente que diz “...ainda que isso não aconteça, Deus está comigo”; “...ainda que eu não tenha feito isso daquela vez, Jesus não vai me abandonar por isso...”. Queridos, ainda que NADA aconteça, ainda que não vejamos nada acontecer, Deus permanece conosco, Ele não nos abandona!

Não existe barganha com ele, esse não é o idioma de Deus, Seu idioma é a graça, o amor e a liberdade! Não deixe que nada, nem ninguém te condicione, qualquer condicionamento gera uma prisão e foi para a liberdade que Cristo nos libertou não para outros tipos de escravidão.

E no mais, tudo na mais santa paz!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Quando o evangelho da graça toma conta de nós

Quando o evangelho da graça toma conta de nós, algo passa a estar muito certo. Vivemos na verdade e na realidade. Quando sou honesto, admito que sou um amontoado de paradoxos. Creio e duvido, tenho esperança e sinto-me desencorajado, amo e odeio, sinto-me mal quando me sinto bem, sinto-me culpado por não me sentir culpado. Sou confiante e desconfiado. Honesto e ainda assim insincero. Aristóteles diz que sou um animal racional; eu diria que sou um anjo com um incrível potencial para cerveja.

Viver pela graça significa reconhecer toda a história da minha vida, o lado bom e ruim. Ao admitir o meu lado escuro, aprendo quem sou e o que a graça de Deus significa. Como colocou Thomas Merton: “Um santo não é alguém bom, mas alguém que experimenta a bondade de Deus”.

O evangelho da graça nulifica a nossa adulação aos tele-evangelistas, superastros carismáticos e heróis da igreja local. Pois a graça proclama a assombrosa verdade de que tudo é de presente. Tudo de bom é nosso não por direito, mas meramente pela liberalidade de um Deus gracioso. A nós foram-nos dados Deus em nossa alma e Cristo na nossa carne. Temos poder de crer quando outros negam; de ter esperança quando outros desesperam; de amar quando outros ferem. Isso e muito mais é pura e simplesmente de presente; não é recompensa a nossa fidelidade, a nossa disposição generosa, a nossa vida heróica de oração. Até mesmo nossa fidelidade é um presente. “Se nos voltarmos para Deus”, disse Agostinho, “até mesmo isso é um presente de Deus”.

Em Lucas 18 um jovem rico vem até Jesus perguntando o que ele deve fazer para herdar a vida eterna. Ele quer ser colocado no centro das atenções. O ponto central de Jesus é o seguinte: não há coisa alguma que qualquer um de nós possa fazer para herdar o Reino. Devemos simplesmente recebê-lo como criancinhas.

Por Brennan Manning

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O Dinheiro Evangélico

O dinheiro evangélico virou mandinga de crente, está para além das necessidades econômicas e se mistificou de tal forma na pós-modernidade que até culto em seu favor já existe. O dinheiro está no centro da vida religiosa ocidental, e assim como Aristóteles sentenciou que os homens são convencidos por considerações de seus interesses, o dinheiro não é apenas objeto de interesse dos pajés, mas é alvo constante dos fiéis convencidos ou não. Em suma, o dinheiro é o deus evangélico.

Contudo, pra não ficar em apenas um parágrafo, quero pensar um pouco mais com você a respeito deste assunto intrigante para a religiosidade cristã capitalista. A vida neste mundo de cá se resumiu na busca de um bom emprego para alcançar uma boa moradia e um bom carro. Os filhos, por exemplo, não são mais educados para o casamento, e sim, para o primeiro emprego. As faculdades estão lotadas de jovens que na sua maioria não serão éticos em sua profissão, pois estão simplesmente interessados na rentabilidade que o curso lhe proporcionará.

Esta mentalidade medíocre tem sido corroborada pelos espaços religiosos que eficazmente desafiam seus membros para lutarem e se esgoelarem em busca da prosperidade financeira. O que deveria ser um espaço de confronto e oposição a esta realidade vem se conformando e pecavelmente se amoldando à mesma realidade. Os templos da religião deveriam ser oportunidades de escape e refrigério num mundo que incansavelmente tem escravizado e desfigurado pessoas a viverem além da lógica da sobrevivência. É insano sacrificar o ser em detrimento do ter.

E o pior, se não bastasse toda essa bagunça desenfreada pelo ter, não se contentam em vender apenas suas consciências, mas vendem também o próprio Cristo. Humberto de Campos, talvez profano para muitos, em sagradas palavras bem disse que “Jesus está sendo criminosamente vendido no mundo, a grosso e a retalho, por todos os preços, em todos os padrões de ouro amoedado. E os novos negociadores do Cristo não se enforcam depois de vendê-lO.” É triste o fato de ter que aceitar a idéia de que tudo isso acontece debaixo dos nossos olhos e nada fazemos para mudar.

Se não houver uma mudança radical de valores e princípios para um viver consciente, certamente o mundo será pequeno para tanta ganância, e talvez, quando a última árvore tiver caído, o último rio secado, o último peixe pescado, vocês entenderão que o dinheiro não se come! Arrependei-vos, pois, o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Amém!

Ivan Cordeiro

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A Dolorosa Lição de Aprender a ter Gozo

Servir a Deus não é o mesmo que servir a qualquer outra pessoa. Deus é extremamente zeloso de que entendamos e gozemos isso.

Por exemplo, Ele nos manda: "Servi ao Senhor com alegria" (SI 100.2). Existe uma razão para essa alegria.
A razão é apresentada em Atos 17.25: "[Deus não] é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais".

Servimos a Deus com alegria porque não carregamos o fardo de satisfazer as necessidades dEle. Pelo contrário, nos regozijamos em um serviço no qual Ele satisfaz nossas necessidades.

O salmista compara este servir com a dependência de um servo para com o seu gracioso senhor: "Como os olhos dos servos estão fitos nas mãos dos seus senhores, e os olhos da serva, na mão de sua senhora, assim os nossos olhos estão fitos no Senhor, nosso Deus, até que se compadeça de nós" (SI 123.2).

Servir a Deus sempre implica receber graça de Deus.

Em 2 Crônicas 12, encontramos uma história que revela quão zeloso Deus se mostra em que recebamos graça e nos gloriemos nela. Roboão, o filho de Salomão, que governava no reino do Sul, depois da revolta das dez tribos, "deixou a lei do Senhor" (v. 1). Escolheu não servir ao Senhor e prestar serviço a outros deuses e a outros reinos. Como julgamento, Deus enviou a Sisaque, rei do Egito, contra Roboão, com mil e duzentos carros e sessenta mil cavaleiros (v. 3).

Em sua misericórdia, Deus enviou o profeta Semaías com esta mensagem: "Assim diz o Senhor: Vós me deixastes a mim, pelo que eu também vos deixei em poder de Sisaque" (v. 5). O resultado feliz desta mensagem foi que Roboão e seus príncipes se humilharam, em arrependimento, e disseram: "O Senhor é justo" (v. 6).

Quando viu que eles se humilharam, o Senhor disse: "Humilha ram-se, não os destruirei; antes, em breve lhes darei socorro, para que o meu furor não se derrame sobre Jerusalém, por intermédio de Sisaque" (v. 7). E, como disciplina para eles, o Senhor acrescentou: "Serão seus servos, para que conheçam a diferença entre a minha servidão e a servidão dos reinos da terra" (v. 8).

E assim aconteceu. Deus é zeloso de que conheçamos a dife rença entre o servir a Ele e o servir a qualquer outra pessoa. A lição que Roboão e seus príncipes tiveram de aprender foi a de que servir a Deus é uma realização alegre ou, como Jesus disse, um fardo leve e um jugo suave (Mt 11.30). Disto podemos aprender, como afirmou Jeremy Taylor, que Deus ameaça coisas terríveis, se não queremos ser felizes. Foi isso que Moisés disse em Deuteronômio 28.47-48: "Porquanto não serviste ao Senhor, teu Deus, com alegria e bondade de coração... servirás aos inimigos que o Senhor enviará contra ti".

A verdade é clara: servir a Deus é receber, é ser abençoado, é ter gozo e benefício. Essa é a razão por que sou tão zeloso em dizer que, em nossa igreja, a adoração aos domingos e a adoração por meio da obediência diária não são um dar para Deus, e sim um receber de Deus.

Acautele-se de servir a Deus de um modo que O torna parecido com os deuses das nações. Que todo o nosso servir seja realizado na força que Ele supre (1 Pe 4.11).

J. Piper

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ajuntamento Final

“Portanto, vigiem, porque vocês não sabem em que dia virá o seu Senhor.” Mateus 24:42

Todas as pessoas que já viveram estarão presentes naquele ajuntamento final. Todos os corações que já bateram. Todas as bocas que já falaram. Naquele dia você estará rodeado por um mar de gente. Ricos, pobres. Famosos, desconhecidos. Reis, mendigos. Inteligentes, dementes. Todos estarão presentes. E todos estarão olhando em uma direção. Todos estarão olhando para ele. Todos os seres humanos.

“O Filho do homem virá em sua glória” (Mateus 25:31).

Você não olhará para mais ninguém. Sem espiadas para ver o que os outros estão vestindo. Sem cochichos sobre a nova jóia ou comentários sobre quem está presente. Nele, o maior ajuntamento da história, você terá olhos para um só - o Filho do Homem. Envolto em esplendor. Irradiando brilho. Revestido de luz e magnético em poder.

Por Max Lucado

Haiti: A fé que surge dos escombros

Muita coisa tem sido dita nestes últimos dias acerca do cataclismo que abateu o Haiti. A ONU afima ser a maior catástrofe da história. Será que se esqueceram a tsunami? E de tantos outros terremotos que têm acometido o mundo nos últimos anos? O que torna a tragédia do Haiti mais importante em termos de repercussão é sua proximidade com o resto do Ocidente. A tsunami aconteceu lá do outro lado do mundo. Mas o Haiti parece um aviso de que coisas ruins também acontecem aqui no nosso quintal. Miami está logo ali!

Como cristãos, qual deveria ser nossa reação diante de uma tragédia desta magnitude?

Alguns preferem buscar explicações teológicas. Alguns crêem que tenha sido juízo de Deus, por causa de um pacto feito entre aquela nação e o diabo, quando lutava por sua independência da França no século VIII. Outros atribuem ao próprio diabo, como se este tivesse poder sobre as forças naturais. Há também a turma do Open Theism [Teísmo Aberto], que aproveita a situação para reafirmar e propagar sua crença de que Deus não interfere na história, e nem ao menos conheçe o seu desfecho. Tem também os que aproveitam para linkar o acontecimento à proximidade da volta de Jesus, catalogando-o como sinal dos tempos.

Enquanto os teólogos de plantão discutem, cristãos comuns arregaçam as mangas no afã de minimizar o sofrimento das vítimas.

O livro de Atos registra um terremoto ocorrido na cidade de Filipos, onde Paulo e Silas estavam encerrados na prisão. O abalo foi de tal magnitude que rompeu as grades, deixando todos os presos potencialmente livres. O carcereiro, desesperado, quis suicidar-se, mas foi impedido por Paulo, que garantiu-lhe que nenhum dos presos fugiria. Para a surpresa deles, o suicida perguntou-lhes: Que farei para ser salvo?

Ora, Paulo poderia ter entendido que aquele terremoto era juízo de Deus sobre os que o haviam preso injustamente. Ou poderia acreditar que tudo tinha acontecido para que ele fosse livre daqueles grilhões. Porém, Paulo não entendia os acontecimento partindo de seu próprio umbigo. É claro que ele não acreditava em acidentes. Havia um propósito naquilo tudo.

Em vez de aproveitar para fugir, Paulo se volta para aquele homem desesperado, e lhe diz: "Crê no Senhor Jesus Cristo e será salvo tu e a tua casa".

Que bom seria se a igreja contemporânea deixasse de discutir a razão das tragédias naturais, e aproveitasse o ensejo para levar uma palavra de conforto e salvação às vítimas. E não só palavras, mas também ações.

Não nos compete julgar, nem atribuir culpa a quem quer que seja. Nossa única atribuição é revelar a face amorosa do nosso Deus, que Se importa com a dor de suas criaturas.

Imagine se Paulo tivesse a postura de muitos cristãos de hoje em dia. Ele certamente deixaria que o carcereiro cumprisse seu intento, e ainda chegaria na igreja dando testemunho da vitória. Que vergonha! A mensagem pregada em nossos púlpitos tem produzido gente assim, que em vez de encarar a realidade, prefere fugir dela, com explicações mirabolantes que apaziguem suas consciências, em vez de aguçá-las em favor do seu semelhante.

Deus está dispensando advogados! Mas também não Se importa com Seus detratores.

Voltemos-nos para a realidade, e trabalhemos para transformá-la.

Ironicamente, o mesmo carcereiro que lhe fizera as feridas nas costas, levou-o para sua casa e as tratou. Daquele terremoto nasceu a igreja para a qual Paulo destinou uma de suas mais brilhantes epístolas: Aos Filipenses.

Dos escombros deste terremoto no Haiti surja uma igreja vibrante, cheia de vida e desejosa de mudar o mundo. Dos escombros de nossas certezas teológicas, possa emergir uma igreja voltada para fora em busca de soluções, em vez de explicações.

Por Hermes Fernandes

Tenha Visão do Céu!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

AVIVAMENTO

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

UM GRITO DE SOCORRO!

A idolatria gospel e o mercado musical

Por Renato Vargens


O crescimento em ritmo acelerado do mercado Gospel, no País, motivou o pronunciamento do deputado Pastor Cleiton Collins (PSC). O parlamentar destacou a matéria publicada no Jornal Folha de Pernambuco sobre o assunto. “Somos uma fatia significativa do mercado consumidor e, de alguma forma, geramos emprego e renda”, comentou. De acordo com o deputado, o mercado cresce 8% ao ano e movimenta R$ 1 bilhão em negócios. O parlamentar acredita que, no Brasil, existam mais de 45 milhões de evangélicos prontos para o consumo.

Caro leitor, o chamado mercado gospel me enoja! Saber que homens e mulheres em nome de Deus se tornaram "artistas gospel" mercadejando a mensagem da Salvação Eterna, me deixa escandalizado. Confesso que não suporto mais ver a paganização do cristianismo, nem tampouco a comercialização da fé. Em nome de Cristo, os chamados artistas de Deus cobram cachês altissímos, exigindo daqueles que os contratam, mordomias e benesses especiais. Se não bastasse isso, usam roupas escalafobéticas, contratam seguranças e alimentam os seus fãs clubes com estrelismo e requinte.

Para piorar a situação algumas rádios chamadas evangélicas, "cartelizaram" a fé, tocando em seu dial somente as músicas dos artistas contratados por suas gravadoras. Junta-se a isso o fato, que tais rádios incentivam o estrelismo, levando boa parte do povo cristão a uma idolatria velada de seus artistas gospel. Em nome de Deus, cantores e cantoras, envolvidos por uma super-produção exigem tratamento VIP por parte daqueles que o contrataram proporcionando assim o surgimento de uma teologia musical non sense.

Prezado amigo, que bom seria se as músicas tocadas em nossas rádios fossem frutos de vidas comprometidas com o Reino de Deus. Ah como eu gostaria de ouvir nas rádios evangélicas João Alexandre, Nelson Bomilcar, Logos, Vencedores por Cristo, Asaph Borba, Ademar de Campos, Atilano Muradas, Josué Rodrigues, Crombie, Paulo Brito, isto sem falar em um incontável número de bons músicos desconhecidos que tem tocado canções de qualidade nesse “brasilzão” de meu Deus.

Há pouco um pastor amigo me relatou que uma destas cantoras ao chegar em sua igreja perguntou: - "Aonde está o segurança contratado para me acompanhar? O pastor respondeu: Segurança? Que isso minha irmã? Aqui na minha igreja não tem isso não. Aqui todo mundo anda sozinho."

Tal cantora, ao ouvir a resposta do pastor respeondeu: - "Pastor, não faça isso, não vou conseguir andar na igreja, todos vão quere me tocar!"

Caro leitor, infelizmente os culpados por essa idolatria gospel, por esse mercantilismo nojento são os pastores evangélicos, que permitiram com que a Casa do Senhor se transformasse num balcão de negócios.

Isto posto, acredito que a sáida para este embróglio maldito, é o fechamento do púlpito cristão para essa corja mercantilista que só pensa em ganhar dinheiro.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A Igreja que não existe mais

“Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.” At 2:43-47

Na época do surgimento da Igreja do Novo Testamento, a palavra igreja significava, apenas, uma reunião qualquer de um grupo organizado ou não. Assim, o texto nos revela que havia um grupo organizado em torno de sua fé (Todos os que criam estavam unidos) – todos acreditavam em Cristo.

Segundo o texto, os participantes do grupo do Cristo não tinham propriedade pessoal, tudo era de todos (tinham tudo em comum) – os membros desse grupo vendiam suas propriedades e bens e repartiam por todos – e isso era administrado a partir da necessidade de cada um; e se reuniam todos os dias no templo; e pensavam todos do mesmo jeito, primando pelo mesmo padrão de vida (unânimes); e comiam juntos todos os dias, repartidos em casas, que, agora, eram de todos, uma vez que não havia mais propriedade particular; e eram alegres e de coração simples; e viviam a louvar a Deus; e todo o povo gostava deles, e o grupo crescia diariamente. Diariamente, portanto, havia gente acreditando em Cristo, se unindo ao grupo, abrindo mão de suas propriedades e bens e colocando tudo à disposição de todos.

Essa Igreja era a Comunhão dos santos – chamados e trazidos para fora do império das trevas, para servirem ao Criador, no Reino da Luz.

Essa Igreja não precisava orar por necessidades materiais e sociais, bastava contar para os irmãos, que a comunidade resolvia a necessidade deles.

Deus havia respondido, a priori, todas as orações por necessidades materiais e sociais, fazendo surgir uma comunidade solidária.

O pedido: “O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje." (Mt 6.9) estava respondido, e diariamente.

Então, para haver o “pão nosso” não pode haver o pão, o bem ou a propriedade minha, todos os bens e propriedades têm de ser de todos.

Mais tarde, eles elegeram um grupo de pessoas, chamadas de diáconos – garçons, para cuidar disso (At 6.3). Então, diante de qualquer necessidade, bastava procurar os garçons, que a comunidade cuidava de tudo. Era o princípio do direito: se alguém tinha uma necessidade, a comunidade tinha um dever.

Essa Igreja não existe mais!

Fonte: Missão Integral

domingo, 3 de janeiro de 2010

TEMPO DE CONQUISTA Josué 14:6-14

Deus quer nos transformar em conquistadores. De que adianta receber um milagre, mas seguir vivendo como um derrotado?
O Senhor quer mudar nossa atitude diante da vida, levando-nos a conquistar nossos sonhos pela fé.

A Bíblia está cheia de exemplos de conquistadores. Calebe é um deles.
Ele guardou uma promessa de Deus por quarenta e cinco anos e finalmente a conquistou.

No dia em que o Senhor lhe prometeu o Monte Hebrom, Calebe tomou posse.
Mas as promessas serão apenas ilusões, se não tivermos o caráter de vencedores.

Vamos ver as marcas que fazem de um homem um conquistador:

1 - Ele guarda as promessas de Deus para sua vida
Calebe tinha a promessa e então projetou sua vida de acordo com a Palavra de Deus.

O Senhor lhe fez a promessa, ele creu e não abriu mão dela. Números 14:22-24
Por 45 anos ele insistiu em crer e foi pela sua perseverança que Deus o abençoou.

2 - Ele não dá ouvidos às vozes da incredulidade – Josué 14:8

Existe um inimigo das nossas conquistas: A incredulidade.
Muitos tentarão nos convencer que o caminho da fé não nos levará a nada.
Calebe não se amoldou aos incrédulos! Essa é uma marca dos conquistadores.

A palavra de Deus tem que ter mais valor do que as palavras daqueles que são negativos ou pessimistas.

3 - Ele reconhece o favor de Deus, mesmo quando ainda não conquistou – Josué 14:10

Você seria capaz de esperar 45 anos por uma benção e ainda assim ter um coração agradecido?
Calebe reconhecia que a benção do Senhor o mantivera vivo e com vigor!
Ele era grato a Deus e a gratidão é uma benção para nossas vidas.

Em 1 Pedro 5:6,7 vemos dois conselhos que nos ajudam a continuar esperando pela bênção.
(Humilhar-se e Lançar sobre Ele nossa ansiedade)

4 - Ele tem disposição de lutar pelos seus sonhos – Josué 14:11

O monte de Calebe (Hebrom) estava cheio de inimigos, mas ele estava disposto a lutar contra eles.

Muitas vezes pensamos que a fé nos livra das lutas e nos entrega a benção “de mão beijada”

Temos que lutar pelo que queremos. A fé é uma atitude.

5 - Ele reivindica as promessas, confiando no poder de Deus – Josué 14:12

O conquistador é objetivo. Ele não espera passivamente que as coisas aconteçam, mas ora e insiste com Deus, confiando não na sua própria força, mas no poder do Altíssimo.

Precisamos ter coragem para pedir. 1 João 5:14-15

Para conquistar algo é preciso: decidir o que queremos ter e estarmos dispostos a lutar para conseguir.

TEOLOGIA NISSIM MIOJO






Por Leonardo Gonçalves


Hoje, ao chegar da igreja, minha digníssima esposa deu-me a grata nova de que não tinha nada pronto pra comer, e que estava muito cansada para cozinhar. Logo eu, como marido compreensívo e bondadoso (leia-se: banana!), resolvi sair e comprar algo alternativo para comer. Entrando na mercearia do “Seu Alfredo”, passeei os olhos pelas prateleiras coloridas até achar o tal do Nissim Miojo: rápido, prático e econômico. Pensei: É isso que eu preciso! Dois copos e meio de água na panela e em três minutos está pronta a refeição. É claro que aquele troço é cheio de química, tem um bilhão de conservantes, e leva em sua composição o temível e cancerígeno glutamato monossódico, mas... quem pensa nisso na hora de comprar? Na hora da fome, o que vale é a satisfação imediata. A promessa de refeição em três minutos definitivamente falou mais alto. Comprei, paguei, “cozinhei” e comi. Que delícia! Estava muito bom mesmo. Pena que o desgramado do macarrãozinho vem num pacote tão miserável. Resultado: comi, mas ainda fiquei com fome.

Com a promessa de satisfação imediata, de bençãos em três minutos, de vitória financeira e emagrecimentos miraculosos, os fabricantes do nissim miojo da fé abarrotam as gôndolas do mercado religioso com seus pacotes coloridos, porém altamente nocivos para a nossa saúde espiritual. Porém, o consumidor não está nem aí para o fato do alimento ser intoxicante, provocar gases e até mesmo infecção intestinal nas crianças: ele quer o prazer imediato. E aí, enche as “fuças” com o miojão! O pior de tudo é que, assim como eu, o consumidor do miojo da fé nunca sai da mesa satisfeito. Miojo é até gostoso, mas não “enche”.

Querido amigo: não caia na onda do miojo da fé. A propaganda é bacana, a promessa é interessante, mas assim como o verdadeiro miojo, o nissim miojo da fé também deixa a desejar. Alimente-se da genuína palavra de Deus, e não se iluda com esse evangelho barato que promete carrões, casas e dinheiro fácil, pois isso é cascata. Nunca vi anjo jogando mala de dinheiro do céu pra ninguém! Diga não ao miojo da fé: O pacote pode até ser bonito, mas o conteúdo não é compatível com a sua fome. Somente Deus pode suprir as suas necessidades existenciais. Só o verdadeiro evangelho de Cristo possui todos as vitaminas, proteínas e carboidratos que você precisa para crescer forte e saudável. Se sua alma está faminta, não saia por aí em busca de qualquer porcaria. Alimente-se do evangelho: só ele pode saciar a fome da sua alma.

...Pense nisso!

Fonte: www.geniza.com

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

Quando, na década de 80, a teologia da prosperidade chegou ao Brasil, ela veio como uma nova tese sobre a fé, prometia o céu aqui para o que tivesse certo tipo de fé. As promessas eram as mais mirabolantes: garantia de saúde a toda prova, riqueza, carros maravilhosos, salários altíssimos, posições de liderança, prosperidade ampla, geral e irrestrita.

Lembro-me de, nessa época, ter ouvido de um ferrenho seguidor dessa teologia que, quem tivesse fé poderia, inclusive, negociar com Deus a data de sua morte, afirmava que, na nova condição de fé em que se encontrava, Deus teria de negociar com ele a data de sua partida para mundo dos que aguardam a ressurreição do corpo.

Estamos, há cerca de vinte anos convivendo com isso, talvez, por isso, a grande pergunta sobre essa teologia seja: Como têm conseguido permanecer por tanto tempo? A tentação é responder a questão com uma sonora declaração sobre a veracidade desta proposição, ou seja, permanece porque é verdade, quem tem fé tem tudo isso e muito mais.

Entretanto, quando se faz uma pesquisa, por mais elementar, o que se constata é que as promessas da teologia da prosperidade não se cumpriram, e, de fato, nem o poderiam, quando as regras da exegese e da hermenêutica são respeitadas, percebe-se: não há respaldo bíblico. Então qual a razão para essa longevidade?

Em primeiro lugar, a vida longa se sustenta pela criatividade, os pregadores dessa mensagem estão sempre se reinventando, bem fez um de seus mais expoentes pregadores quando passou a chamar seu programa de TV de “Show da Fé”, de fato é um espetáculo ás custas da boa fé do povo. Mesmo os mais discretos estão sempre expondo o povo, em alguns casos, quando mais simplório melhor, em outros, quanto mais bonita, e note-se o feminino, melhor.

Além disso, é uma sucessão de invencionices: um dia é passar pela porta x, outro é tocar a trombeta y, ou empunhar a espada z, ou cobrir-se do manto x, e, por aí vai. Isso sem contar o sem número de amuletos ungidos, de águas fluidificadas e de bênçãos especiais. Suas igrejas são verdadeiros movimentos de massa, dirigidos por “pop stars” que tornam amadores os mais respeitados animadores de auditório da TV brasileira.

Em segundo lugar, a vida longa se mantém pela penitência; os pregadores dessa panacéia descobriram que o povo gosta de pagar pelos benefícios que recebe, algo como “não dever nada a ninguém”, fruto da cultura de penitência amplamente disseminada na igreja romana medieval, aliás, grande causadora da reforma protestante. Tudo nessas igrejas é pago. Ainda que cada movimento financeiro seja chamado de oferta, trata-se, na prática, de pagamento pela benção.

Deus foi transformado num gordo e avaro banqueiro que está pronto a repartir as suas benesses para quem pagar bem, assim, o fiel é aquele que paga e o faz pela fé; a oferta, nessas comunidades, é a única prova de fé que alguém pode apresentar. Na idade média, como até hoje, entre os romanos, Deus podia ser pago com sacrifícios, tais como: carregar a cruz por um longo caminho num arremedo da via “crucis”, ou subir de joelhos um número absurdo de degraus, ou, em último caso, acender uma velinha qualquer, não é preciso dizer que a maioria escolhe a vela. Mas, isso é no romanismo!

Quem quer prosperidade, cura, promoções, carrões e outros beneplácitos similares tem de pagar em moeda corrente, afinal, dinheiro chama dinheiro, diz a crença popular. E tem de pagar antes de receber e, se não receber não pode reclamar, porque Deus sabe o que faz e, se não liberou a bênção é porque não recebeu o suficiente ou não encontrou a fé meritória. Esses pregadores têm o consumidor ideal.

Em terceiro lugar são longevos porque justificam o capitalismo, embora, segundo Weber, o capitalismo seja fruto da ética protestante, (aliás, a bem da verdade é preciso que se diga que o capitalismo descrito por Max Weber em seu livro “A ética protestante e o espírito do capitalismo” não é, nem de longe, o praticado hoje, que se sustenta no consumismo, enquanto aquele se erguia da poupança, além disso, como sociólogo, Weber tirou uma foto, não fez um filme, suas teses se circunscrevem a sua época e nada mais) a fé, de modo geral, evangélica nunca se deu bem com a riqueza.

A chegada, porém, dessa teologia mudou o quadro, o capital está, finalmente, justificado, foi promovido de grilhão que manieta a fé em troféu da mesma. Antes, o que se assenhoreava do capital tornava-se o avaro acumulador egoísta, agora, nessa tese, é o protótipo do ser humano de fé. Antes, o que corria atrás dos bens materiais era um mundano, hoje, para esses palradores, é o que busca o cumprimento das promessas celestiais. Juntamente com o capitalismo, essa mensagem justifica o individualismo, a bênção é para o que tem fé, ela é inalienável e intransferível.

Eu soube de uma igreja dessas que, num rasgo de coerência, proibiu qualquer socorro social na comunidade para não premiar os que não tem fé. Assim, quem tem fé tem tudo quem não tem fé não tem nada. Antes, ter fé em Cristo colocava o sujeito na estrada da solidariedade, hoje, nesse tipo de pregação, o coloca no barranco da arrogância. Toda “esperteza” está justificada e incentivada. Não é de estranhar que ética seja um artigo em falta na vida e no “shopping center” de fé desses “ministros”.

Mas, o que isso tudo tem gerado, de verdade? Decepção, fragorosa decepção é tudo o que está sobrando no frigir dos ovos. As bênçãos mirabolantes não vieram porque Deus nunca as prometeu, e Deus não pode ser manipulado.

O sucesso e a riqueza que, porventura, vieram foram mais fruto de manobras “espertalhonas”, para dizer o mínimo, do que resultado de fé. Aliás, para muitos foi ficando claro que o que chamavam de fé, nada mais era do que a ganância que cega, o antigo conto do vigário foi substituído pelo conto do pastor.

Gente houve que ficou doente, mas, escondeu; perdeu o emprego, mas, mentiu; acreditou ter recebido a cura, encerrou o tratamento médico e morreu. Um bocado de gente tentando salvar as aparências, tentando defender os seus lideres de suas próprias mentiras e deslizes éticos e morais; um mundo marcado pela esquizofrenia.

O individualismo acabou por gerar frieza, solidão e, principalmente, perda de identidade, porque a gente só se torna em comunidade. Tudo isso acontecendo enquanto muitos fiéis observavam o contraste entre si e seus pastores, eles sendo alcançados pela perda de bens, pela angústia de uma fé inoperante, pela perda de entes queridos que julgavam absolutamente curados e os pastores enriquecendo, melhorando sensivelmente o padrão de vida, adquirindo patrimônio digno de nota, sendo contado entre o “jet set”, virando artistas de TV, tudo em nome de um evangelho que diziam ter de ser pregado e que suas novas e portentosas posses avalizavam.

E onde estão estes decepcionados? E para onde estão indo os seus pares?

Muitos estão, literalmente, por aí, perderam aquela fé, mas não acharam a que os apóstolos e profetas da escritura judaico-cristã anunciaram; ouviram o nome Cristo, mas não o encontraram e pararam de procurar. Talvez, estejam perdidos para evangelho; para sempre.

Outros, no meio de tudo isso foram achados por Cristo e estão procurando pelo lugar onde ele se encontra. Para os primeiros não há muito que fazer a não ser interceder diante do Eterno, para que se apiede dos que foram vergonhosamente enganados; para os que estão a procura, entretanto, é preciso desenvolver uma pastoral.

Eles não estão chegando como chegam os que estão em processo de reconhecimento de Deus e do seu Cristo. Estão batendo às portas das comunidades que julgam sérias com a Bíblia a procura de cura para a sua fé, para a sua forma de ser crente, para a sua esperança de salvação, para a sua falta de comunidade e para a sua confusão doutrinária.

Precisam, finalmente, ver a Jesus Cristo e a si mesmos; precisam, em meio a tanta desinformação encontrar o ensino, em meio a tanto engano recuperar a esperança. Necessitam de comunidade e de identidade, de abraço e de paciência, de paz e de alento, de fraternidade e de exemplo, de doutrina e de vida abundante.

Quem quer que há de recebê-los terá de preparar-se para tanto, mesmo porque, ainda que certos da confusão a que foram expostos, a cultura que trazem é a única que têm e, nos momentos de crise, de qualquer natureza, será a partir desta que reagirão, até que o discipulado bíblico construa, com o tempo, uma nova e saudável cultura.

Hoje, para além de tudo o que encerra a sua missão, a Igreja tem de corrigir os erros que, em seu nome, e, em muitos casos, sob a sua silenciosa conivência, foram e, ainda, estão sendo cometidos.

Por Ariovaldo Ramos


domingo, 27 de dezembro de 2009

Agora

Pare por um instante e acalme seus pensamentos.

Esqueça suas ansiedades e dê uma olhada ao redor de você.
O que você vê?

Você vê um mundo repleto de beleza.
Você vê uma vida cheia de possibilidades.
Você vê sonhos nascendo,
Sendo criados e sendo atingidos.

Sim, há desafios.
Sim, há tristeza.
Sim, há violência e ódio.
Mas, mais do que isto, há amor, há bondade, há alegria...

O futuro é incerto.
E isso significa que não há nenhum limite em quão belo e feliz você pode fazê-lo.
Mas tudo o que você tem é somente o agora.
E agora é exatamente como deveria ser.

É seu tempo de viver.
Pense como a vida é preciosa.
E como verdadeiramente abençoado você é por a estar vivendo.
Agora.

Agora, qualquer ansiedade que tenha sobre o futuro é somente ilusão.
Esqueça todas elas. Faça com que elas sejam apagadas enquanto a beleza e a perfeição do agora se estendem sobre você. A melhor coisa que você pode fazer para o futuro é viver com tudo que você tem no presente.
Agora.

Você pode exercer uma força realmente positiva e duradoura no mundo ao seu redor.
Como fazer isso?
Seguindo o seu coração...
Sendo o que realmente você é.

Você pode ter vagado pra longe.
Agora é o momento de retornar ao lar.
Você sabe em seu coração que está aqui por uma razão.
A dor que você sente é este propósito, esta razão de viver,
Que constantemente luta para se libertar.
Quando isto acontecer, você estará mais vivo do que jamais pudesse ter imaginado.

Inspire a beleza ao seu redor, a beleza e riqueza de estar vivo.
É sua graça!
A graça de Deus.
É a sua fortuna!
A vida que Deus lhe deu.
É a sua benção!
O poder viver o hoje.
E é seu viver, viver a vida de cristo. experimentar e cumprir o propósito da vida de cristo!
Agora!

Fonte: lagoinha.com